Decepção na Igreja

Quem nessa vida ainda não se decepcionou? Todos nós nos decepcionamos a todo momento, isso é uma grande verdade! - Mas não existe nada mais avassalador quando isso acontece em um ambiente aonde se espera paz, amor, carinho, consideração e respeito, por este motivo, este sentimento não é mais uma decepção como qualquer outra, quando o local que envolve tudo isso é considerado um santuário templário de uma catedral dos santos, ambiente respeitável e lugar sagrado de nobres sentimentos. A decepção dentro da Igreja é bem pior do que se pode imaginar, com proporções imensas, pois é um lugar aonde ninguém espera que aconteça uma inusitada maldade. Nas igrejas, as ações ou atitudes levianas de pessoas, autoridades eclesiásticas, membros ou conjunto de fiéis que dizem professar a mesma fé, utilizando o nome de Deus, tem consequências terríveis e irreparáveis na vida daqueles que as sofrem, exigindo das vitimas um grande esforço para esquecer ou superar tais sentimentos penosos. Como diz o ditado: “Quem bate esquece, mas quem apanha não esquece jamais”! Mesmo numa comunidade Cristã ou instituição religiosa, quando menos esperamos sofremos com a grande armadilha que chega sorrateiramente e nos pega de surpresa, se revelando numa grande desilusão, o engano começa quando acreditamos incondicionalmente em pessoas e somos surpreendidos pelas mesmas, ou seja, deixamos nos surpreender pelo comportamento de alguém, de quem considerávamos santos consagrados em seus méritos e virtudes, logo observamos que esta perfeição inexiste e que o coração do homem é um abismo, do qual ninguém conhece a fundo... “E se tu olhares, durante muito tempo, para esse abismo, o abismo também olha para dentro de ti” - Nietzsche. Este desapontamento aliado a muita tristeza, nós faz pensar o quanto somos vulneráveis, fracos, errantes, pecadores, destituídos e dependentes da misericórdia de Deus. Sendo assim, a cada dia, a decepção nas igrejas está levando mais e mais pessoas a se aproximarem não com a religião, nem com os templos, nem com os homens que se fazem da religiosidade de acordo com seus interesses, mas com o próprio Deus.


Segundo...

Estive nos bastidores do poder da igreja evangélica, e hoje alguém pode fazer a seguinte pergunta: Porque o Alessandro mudou tanto? E na verdade mudei mesmo, pois cheguei a conclusão que poder, hierarquia e postos dentro da igreja de Cristo simplesmente afastam a essência principal do evangelho. Me decepcionei muito com algumas atitudes de líderes dentro da igreja, aonde os interesses faziam os meios. Estive bem perto de tudo isso... Tais coisas que jamais poderei esquecer! Me dediquei muito a um tempo atrás ao trabalho em determinada denominação evangélica na função de obreiro (quem me conhece sabe) numa igreja que estava se iniciando ao calor pentecostal, necessitando de voluntários para o trabalho da seara cristã. Tomei a decisão do “ir” missionário e nesta empreitada deixei por vezes minha família de lado para se dedicar ao máximo aos assuntos da igreja e dos interesses pastorais, por isso, logo do diaconato fui levado ao presbitério, seminarista, segundo dirigente e ajudante de pastor. Mas, da mesma forma que cheguei as tais funções também fui destituído de forma impactante. Em todas as reuniões, cultos, eventos e confraternizações eu era chamado de “Segundo”, ou seja, a segunda pessoa do pastor da igreja, por parte dos obreiros, membros e do próprio pastor. Participei efetivamente dos trabalhos e de grandes conquistas daquela pequena igreja até a mesma se tornar uma grande nave estabilizada, por muitas vezes eu fazia a abertura do culto dominical com oração e leitura de texto bíblico devocional, além de representar o pastor quando necessário. Mas o “Segundo” ficou em segundo plano! Em especial, numa noite anterior a uma reunião de ministério, em um dos eventos happy hour, pão com lingüiça, na volta do Rio, via lagos, o tratamento com muito bate papo continuava a ser o mesmo... “Segundo pra cá, Segundo pra lá”! As palavras de tratamento e os momentos alegres de descontração escondiam o que me aguardava no dia seguinte... Na esperada reunião de ministério pela manhã, entre pastor, presbíteros, diáconos e demais obreiros, ouvi da liderança que eu já não somava, mas também não dividia, e que repentinamente eu passaria a função para outro presbítero recém chegado a igreja. Naquele momento me senti arrasado, triste, e decepcionado. A roupagem social, blusa, gravata e terno escondiam o que realmente passava por dentro do meu coração. Na volta pra casa, a mão direita segurava a bíblia de estudo, a gravata balançada ao vento, os meus passos lentos e meu olhar revelavam um tombo sem chão, aonde somente o aconchego do meu quarto esconderia momentaneamente aquela situação. Hoje, não quero mais cargos ou funções na igreja. Minha fé em Cristo Jesus não mudou... Apenas, não levo em consideração a religiosidade que maquia a verdade e os próprios interesses, muito longe de ser o que agrada a Deus.

Todos nós dependemos uns dos outros

Muitas vezes em nossos mundinhos não paramos para pensar o quanto dependemos uns do outros. Na família, no trabalho, em casa, em todo e qualquer ambiente social o relacionamento e a dependência de outras pessoas é inevitável. Ao nascer aprendemos logo o que é depender de uma pessoa, por isso a figura de uma mãe é imprescindível nos primeiros instantes de vida, a figura forte e protetora de um pai também é necessária e não menos importante, podendo por vezes assumir o lugar de uma mãe, por ausência ou necessidade, podemos também observar mães que acumularam a função de um pai, sendo mãe e pai ao mesmo tempo, uma personalidade aguerrida na lida diária que luta pelos filhos, por isso todos os méritos são justos e importantes. Dependemos também de um amigo em determinadas horas de desabafo, inquietude, decepção, euforia, enfim, no aflorar das emoções, aonde um abraço, um aperto de mão, uma palavra amiga são gestos de valores inimagináveis, um amigo verdadeiro não se compra numa vitrine de shopping, uma amizade se conquista a cada dia, numa via de mão dupla, quando se identifica consideração, respeito e confiança. Certamente, com segurança plena e total, a maior de todas as dependências do ser humano seja um amor verdadeiro, correspondido, belo, maravilhoso, que se renova a cada manhã como a luz do sol, revelado em uma pessoa que preencha o vazio do coração e que seja uma companhia para o resto da vida. No decorrer da vida acabamos por dar o devido valor a aqueles em que dependemos e aqueles que dependem de nós, independente de estar perto ou longe, reconhecer o valor de alguém não é vergonha, mas sim uma grande virtude.

Alessandro Tristão

"Dependemos uns dos outros de tantas maneiras que não conseguimos viver isolados... Temos que nos ajudar quando enfrentamos dificuldades e precisamos partilhar a boa sorte que temos". (Dalai Lama)

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